terça-feira, 2 de outubro de 2007

RUMOS DIFERENTES

7h, o dia estava começando para João, um importante empresário de uma capital de estado. Ele morava em uma apartamento de cobertura na zona mais nobre da cidade, era muito bem sucedido, poderia até ficar mais tempo na cama, mas o trabalho era sagrado para ele. E também era sua responsabilidade levar os seus filhos para o colégio, tarefa que ele adorava, apesar de contar com motorista particular para fazê-lo.
João deu um longo beijo de bom dia para sua amada esposa e fez em silencio a sua oração matinal de agradecimento a Deus pela sua vida , seu trabalho e suas realizações. Sim, João, era um bom cristão, qualidade um tanto quanto rara nos homens de negócios.
Após tomar café com a esposa e os filhos sem pressa, pois os momentos com a família para ele eram importantes, João levou os filhos ao colégio, a esposa em uma instituição de caridade que ela coordenava, e se dirigiu a uma de suas empresas.
Chegando lá mais demonstrações de que era um homem de negócios diferente dos demais. Cumprimentou com um sorriso a todos os funcionários por quem passou, inclusive Dona Teresa, a faxineira. Tinha ele inúmeras contratos para assinar, decisões a tomar, reuniões com vários departamentos da empresa, contatos com fornecedores e clientes, mas a primeira coisa que disse para sua secretária foi:
Calma garota, vamos fazer uma coisa de cada vez sem stress.
Sim era outra característica de João que o diferenciava de outros executivos, ele não deixava suas obrigações profissionais torná-lo escravo do trabalho. E foi assim o seu dia. Ao chegar a hora do almoço fez questão de deixar a empresa e seus negócios na empresa e foi para casa curtir a família.
A tarde tomou conhecimento que o faturamento do mês superou os objetivos e mandou anunciar que todos os funcionários teriam gratificações salariais no mês seguinte. Apesar da sua calma, ou talvez, por causa dela, conseguiu resolver tudo que estava agendado para aquele dia, quando chegou o final da tarde.
Foi direto para um supermercado fazer o que ele fazia uma vez por mês. Comprava gêneros alimentícios de primeira necessidade e distribuía ele mesmo para famílias carentes da cidade. Depois foi para casa, pois era Sexta-feira e ele havia prometido levar seus filhos ao parque, assim aproveitava para fazer um cooper enquanto eles brincavam. E ele não perdeu tempo, pois depois disso ainda faria uma outra atividade para terminar o dia, que lhe dava imenso prazer, uma palestra para estudantes sobre motivação para vencer na vida.
Enquanto isso numa outra capital de estado, no bairro mais pobre, vamos acompanhar um pouco a vida de Mário.
Era sexta-feira e como fazia em todas as sextas, Mário foi para o bar jogar sinuca e beber com amigos. Ele já chegou no bar nervoso, pois, tinha sido mais um dia sem emprego, mas na verdade um amigo seu mecânico, alias um dos poucos que ainda lhes restava, tinha lhe oferecido uma vaga em sua oficina como auxiliar de mecânico, mas ele recusou, alegando o que alega alguém que não quer trabalhar.
Mário não tinha filhos, e estava também sem uma companheira, pois sua terceira mulher, dias antes partiu, dizendo que estava cansada de ser espancada e de viver com um inútil, alias, as outras duas também o deixaram pelo mesmo motivo.
Ele estava morando de favor, em uma peça imunda no porão de uma casa, que servia de quarto e cozinha. Mas o dono da casa só não o mandava embora porque sabia que ele era um homem violento, e tinha medo.
No bar, Mário bebia um atrás do outro, enquanto aguardava uns caras, que viriam para combinar um assalto no dia seguinte, isso mesmo, além de tudo, Mário estava entrando para o mundo do crime. Após combinarem tudo ele bebeu mais algumas, jogou, bebeu, jogou e bebeu até o dono do bar pedir para ele ir embora, pois queria fechar. Pediu para pendurar a sua conta, mas seu crédito havia acabado, então uma tremenda confusão se armou, pois Mário era do tipo valentão que acha que sempre tem razão, mas como estava embriagado levou a pior, o dono do bar o colocou pra fora e só não lhe deu uma surra porque ficaria ruim para se estabelecimento. Ainda havia várias pessoas na rua que presenciavam tudo.
Sentado na calçada Mário chorava pensando no que havia se tornando sua vida, quando passou o seu único amigo, o mecânico que havia lhe oferecido emprego, após levá-lo para casa e curado um pouco o porre, ele perguntou a Mário:
Diga-me por favor, o que fez com que você chegasse até o fundo poço desta maneira?
Mário então desabafou:
Minha família. Meu pai foi um péssimo exemplo. Ele bebia, batia em minha mãe, não parava em emprego nenhum. Tínhamos uma vida miserável. Quando minha mãe morreu doente, por faltas de condições, eu saí de casa, revoltado com a vida e com o mundo. Tinha um irmão gêmeo, que também saiu de casa no mesmo dia, mas foi para um rumo diferente, nunca mais o vi, deve estar vivendo desta mesma forma.
Enquanto isso, na outra capital, João terminava sua palestra para estudantes, já estava se despedindo quando um aluno ergueu o braço e lhe fez a seguinte pergunta.
Diga-me por favor, o que fez com que o senhor chegasse até onde está hoje, um grande empresário, e um grande ser humano?
João, emocionado, respondeu.
Minha família. Meu pai foi um péssimo exemplo. Ele bebia, batia em minha mãe, não parava em emprego nenhum. Tínhamos uma vida miserável. Quando minha mãe morreu doente, por faltas de condições, eu saí de casa, decidido que não seria aquela a vida que queria mais para mim e minha futura família. Tinha um irmão gêmeo, que também saiu de casa no mesmo dia, mas foi para um rumo diferente, nunca mais o vi, deve estar vivendo desta mesma forma.
João e Mário eram os gêmeos desta história.
O que aconteceu com você até agora, não é o que vai definir o seu futuro, e sim a maneira como você vai reagir a tudo que aconteceu. Sua vida pode ser diferente. Não se lamente pelo passado, construa você mesmo o seu futuro. Encare tudo como lição de vida, aprenda com os seus erros e até mesmo o erro dos outros. O que aconteceu é o menos importante. O que realmente importa é o que você vai fazer com o que aconteceu.

Nenhum comentário: